Once Upon a Time

Não é sobre minha espera por sininho…

Março 11, 2007 · 2 Comentários

bom, a pouco tempo terminei de ler um livro muito bom…
chama-se: “Ilusões”, um livro de Richard Bach
o livro discute e uma forma interessante sobre uma questão a qual eu a algum tempo venho pensando e formando teorias…
realidade do universo(não como espaço fisico, mas como lugar “espiritual” em que o fisico é apenas um “subconjunto”)
O raciocínio dele é simples e eficaz…”O mundo é como acreditamos que ele seja.”
Durante toda a extenção do livro Bach vai soltando algo como “regras para ser um bom messias”
Poderia comparar a forma com que o livro é escrita com a forma com que Saint-Exupery fala sobre o pequeno principe…ambos(Richard, personagem do livro e Antoine do pequeno principe) fora o fato de que ambos são aviadores…eles encontram um ser que mudará suas vidas para sempre.
“A tarde estava branda e quente, por entre chuvadas, e os psseios estavam molhados, quandodeixámos a cidade.
- Podes atravessar paredes, não podes, Don?
- Não.
- Quando dizes não a qualquer coisa, sei que é sim e isso significa que não gostaste da forma como eu fiz a pergunta.
- Somos bons observadores, não somos? – Perguntou ele.
- Oprobleme está no ‘atravessar’ ou nas ‘paredes’?
- Sim, pior. A tua pergunta pressupõe que eu existo num local-tempo limitado e me desloco para outro local-tempo. Hoje não estou na disposição de aceitar as uas suposições a meu respeito.
Franzi a testa. Ele sabia o que eu estava a perguntar. Por que é que não me respondia diretament, deixando-me avançar para a descoberta de como é que faz todas essas coisas?
- essa é minha modesta forma de te ajudar a seres preciso no teu raciocínio – disse ele brandamente.
- ‘ok. dás a impressão de que, se quiseres, podes atravessar paredes. A pergunta está melhor assim?
- Sim. Melhor. mas se queres ser preciso…
- Não me digas. Sei dizer o que quero dizer. Aminha pergunta é esta: como é que consegues deslocar a ilusão de um sentido de identidade limitado, expresso nesta convicçãode espaço-tempo contínuo sob forma do teu corpo, através da ilusão de barreira material que se chama parede?
- Muito bem! – exclamou ele – Quando fazes a pergunta corretamente, ela responde a si própria, não será?
- Não, a perguntanão respondeu a si própria. Como é que atravessasas paredes?
- RICHARD!
Tinhas quase tudo certo, mas depois estragaste tudo! Não consigo atravessar paredes… quando dizes isso estás a assumir coisas que eu de forma alguma assumo e, se as assumir, a resposta é: não consigo.
- Mas é tão difícil dizer as coisas com precisão, Don. Não percebes o que eu quero dizer?
- Só porque uma uma coisa é difícil não tentas fazê-la? A princípio era-te difícil andar, mas praticaste e agora dás a ideia que é fácil.
Suspirei
- Sim. ‘ok. Esquecea pergunta.
- Vou esquecer. A minha pergunta é: consegues tu esquecê-las? – Olhou para mimcomo se não tivesse absolutamente nada que o preocupasseno mundo.
- Estás a dizer que o corpo é uma ilusão e que a parede é uma ilusão, mas que a identidade é real e que isso não pode ser limitado por ilusões.
- Não estou a dizer isso. Tu é que estás a dize-lo.
- Mas é verdade.
- Naturalmente – disse ele.
- Como é que fazes?
- Richard, nã se faz nada. Viste já feito e é-o.
- Cramba, parece fácil.
- É como andar. Uma pessoa interroga-se como é que alguma vez foi difícil aprender.
- Don, para mim, neste momento, atravessar paredes não é difícil, é impossível.
- Achas que se disseres ‘impossível repetidas vezes, mil vezes, as coisas se tornarão subitamente fáceispara ti?
- Desculpa. É possível e fá-lo-ei quando for certo para mim fazê-lo.
-Gente, ele caminha sobre a água e está desencorajado por não atravessar não atravessar paredes.
- Mas isso foi fácil, e isto…
- Prova tuas limitações e terás de as conservar – cantarolou ele. – Há uma semana atrás não nadaste na própria terra?
- Sim.
- E uma parade não é apenas terra vertical? Será assim tão importante para ti a direção da ilusão? As ilusões horizontais podem ser vencidas, as verticais não?
- Acho que estás a chegar a mim, Don.
Ele olhou para mim e sorriu.
- A altura em que chegar a ti será a altura de te deixar só durante algum tempo.
O último edifícil da cidade era um celeiro onde era armazenada palha e cereais, uma grande construção de tijolo cor-de-laranja. Foi quase como se ele tivesse decidido voltar para os aviões por um caminho diferente, virando num qualquer atalho secreto.
O atalho era através da parede de tijolo. Ele virou abruptamente para a direita para dentro da parede, e desapareceu. Creio agora que se tivesse virado juntamente com ele poderia também ter atravessado a parede. Mas fiquei parado no passeio, a olhar para o sítio onde ele tinha estado. Quando ergui a mão e toquei no tijolo, era tijolo sólido.
- Um dia, Donald – disse eu. – Um dia… – Percorri sozinho o longo caminho de volta até os avióes.”
Realmente valeu apena ler este livro.
Peter Pan

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